terça-feira, 28 de junho de 2011

Fugindo daquilo a que mais me prendo


Sei que pode parecer muito estranha, a maneira como eu passo dias e dias, horas e horas, horas a fio, só a pensar em ti. No momento em que supostamente descobriria que ainda me amavas... No momento em que te beijaria depois de descobrir que ainda me amavas! Mas depois “acordo” e acabo por reparar que afinal estava só a sonhar...Muito, muito alto!
É tão cruel aquele sentimento a que seriamente chamamos “amor”... E este amor, nada tem de vulgar.
Custa, tenho de admitir, e quem já passou por isso, dar-me-á razão.
Voltando novamente a adormecer, sigo os passos de quem já seguiu os meus! Calco as mesmas pegadas da mesma areia... Faço exactamente o mesmo percurso e acabo numa armadilha que o Amor preparou para mim no fim da praia.
Essa armadilha amarra-me o coração de tal maneira que faz com que eu tenha de esperar que a maré suba e que o sal do mar me corroa aquela maldita corrente. Não sei de onde “cai” essa armadilha, só sei que caio sempre nela...
É como se de repente, longe da praia, me encontrasse numa selva e não conseguisse fugir de um animal deveras feroz... E na minha cabeça e enquanto penso, estou a tropeçar na areia, mas sempre olhando para a frente, continuando a fugir do animal feroz que não vem nada devagar, e até que a corrente me volte a amarrar.
Sei que pode ser estranha a maneira como olho para ti. E sei que o faço demasiadas vezes. Mas depois acordas-me e eu reparo que estava só a sonhar, e que o teu olhar somente me poderia congelar. Pois é frio... Tal como o mar, por quem eu tenho de esperar para que me corroa aquela maldita corrente.
Tento ser meiga para ti, mas tu não dás importância. Continuando a responder áspero, sem qualquer sentimento.
Porque será que me fazes lembrar o animal selvagem de que tanto fujo?
E porque será que fujo?
A explicação mais simples é... Sei lá...Acho que és ele. E assustas, metes medo, porque na verdade tens medo de ti próprio. Tens medo que os outros tenham medo de ti.
E a tua revolta é tão grande que te faz perder o controlo daquilo que mais queres controlar... Continuas a assustar. Enquanto eu vou um pouco à tua frente mas se olho para trás, já sei que tropeço na areia...
Acho que o amor é mesmo isto... Uma praia, linda, maravilhosa, até magnífica, e completamente vazia, onde já passou meio mundo ou alguém que admiras a sério...
Calcas as suas pegadas, percorres a praia... E queiras ou não, tentes ou não, vais parar ao paredão onde te espera a mesma armadilha, onde caem todos aqueles que caem no amor...
O amor é mesmo assim! A praia, o mar, a armadilha em que devia cair o animal feroz que mora na praia, mas que, tal como eu, passeia estranhamente na selva.